segunda-feira, 25 de março de 2013

Texto.

Ela levantou aquele dia com um humor mediano, como sempre.
Antes de tudo, olhou-se no espelho. Obviamente, não gostou nada do que viu. Escovou os dentes, prendeu o cabelo e sentou-se na cama com as cobertas até o joelho.
O notebook em seu colo lhe mostrava fotos de ex colegas, todas muito bonitas, com corpos sarados, cabelos brilhosos e peles lindas. E ela teve vontade de se matar. Falou com uma amiga e com um namorado. Ela queria muito comer alguma coisa com um gosto bom, mas não podia. O namorado falou que ela não comesse, que comesse uma fruta, e isso caiu como uma bomba no estômago.
"Ele me acha gorda. Ótimo."
Tomou meio copo de leite e segurou a vontade de chorar até se esvair. O que ela precisava era ir para a beira da praia. Com aquela temperatura, ninguém estaria lá.
Na saída, a avó lhe ofereceu um pedaço de bolo. Ela responde "não, obrigada, vou caminhar" e a mãe diz "é, ela vai caminhar, ver se perde essa barriga".
Outro golpe. Ela se pergunta se tem bipolaridade para ter o humor tão instantaneamente mudado, mas resolve que passa por muita coisa, mesmo.
E ela vai caminhar, mas não consegue chorar. Aquilo não sai de dentro dela, e ela se pergunta por que existe e como conseguiu que alguém a amasse.
Tudo o que ela quer é um caminhão em alta velocidade.

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