E às vezes eu fico pensando sobre contos de fadas, livros de romance, tudo isso.
É claro que há um padrão ali, e é claro que muitos são feitos assim para vender exemplares, afinal ninguém quer ler um livro estilo Nicholas Sparks com uma mocinha corajosa e forte.
Ou até engraçada.
Eu acho especialmente estranho essa parte, e é uma parte que me fere.
A mulher/menina engraçada é sempre a melhor amiga da mocinha. Não é a engraçada que vive o conto de fadas, é sempre a (que eu acho, pelo menos) sem graça, que é só bonita e completamente passional a tudo e com opiniões calmas e vagas sobre tudo.
A mocinha desses livros nunca é engraçada. Ela também raramente pratica esportes. Raramente faz alguma coisa de mais, também. É sempre um cara que brota de algum buraco da terra e os dois se apaixonam instantaneamente, e ninguém se importa com ficha criminal nem nada. Ninguém se importa se o cara apaixonante é um psicopata.
Porque a mocinha raramente vai saber reconhecer um psicopata, ou sequer saber exatamente o que é um psicopata.
Na verdade ela quase nunca sabe de nada. Não sabe fazer piada, não sabe jogar alguma coisa em alguém, do tipo uma bola, ou uma chave, não. Ela não sabe fazer nada. Não sabe se defender.
Ela tem que ser frágil, bonita, magra, com cabelos sedosos e como já dito, com uma personalidade completamente macia.
E é por essas e outras que às vezes eu sofro sozinha e em silêncio, refletindo sobre esse tipo de coisa. Garotas como eu nunca são a mocinha. São sempre a amiga estranha que tem uma vida normal na qual nada de bom nunca acontece. É o tipo de pessoa que tem que assistir a amiga bonita ficar com quem quiser, a hora que quiser, só porque nasceu bonita.
Never mind.
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