domingo, 10 de novembro de 2013

Pezinho no passado

Você. É, você mesmo. Você, aí, que vive dizendo que mudaria tanta coisa se pudesse voltar no tempo.
Feche os olhos, relaxe, e imagine:
Você tem sete anos. Está na sala de aula, e em um piscar de olhos, continua lá, mas sua consciência atual está lá. Você se lembra do momento, sabe o que vai acontecer depois. Você, seu cérebro de hoje, está no passado. Pode controlar seu corpo. Sabe o que vai acontecer depois, sabe o que estão pensando sobre você. Sabe que vai passar de ano, quem são suas amigas de verdade, quais delas vão sumir depois.
Você vai agir naturalmente? Entrar em pânico?
Vamos lá! Não era isso que você queria?
Tudo o que eu queria naquele momento era vomitar. Chorar. Eu estava vendo o passado, e fiz exatamente o que eu havia feito na época. Porque fazia parte de mim naquela época fazer o que eu fiz. Ser quem eu era. Mesmo com os machucados adquiridos tantos anos depois, eu fui quem eu era naquela época.
Porque o ambiente favorecia. As pessoas favoreciam. Minha aparência favorecia.
E eu fiz exatamente o que eu fiz na época. Não faria diferente.
Engraçado, né?
E eu pisquei os olhos, e estava na sétima série, apresentando um trabalho de 'ciências' - a.k.a biologia. A vontade de chorar foi mais forte. Meu professor estava ali, e meus colegas também. E eu sabia que noventa e nove por cento deles me odiavam.
Porque o ambiente favorecia. As pessoas favoreciam. Minha aparência favorecia. Minhas novas opiniões favoreciam.
Então eu respirei fundo, no meu corpo de treze anos, e olhei as informações no slide. Claro que eu sabia bem melhor do que eu sabia na época. E eu dei meu melhor, e não saiu muito do roteiro da época. Eu queria gritar pra todo mundo que tinha vencido na minha vida, e que todos eles iam fazer pré-vestibular à toa depois, que eu sabia exatamente quem ia conseguir e quem não ia.
Mas por que eu libertaria aquelas pessoas? Porque a verdade liberta, por mais que irrite de início.
Então eu não falei nada. Do mesmo jeito que não falei nada em 2007, porque eu não sabia de nada. E meu professor bateu palmas ao final da apresentação. E ninguém notou que eu estava diferente.
Talvez porque, querendo ou não, mesmo que a gente mude, nós somos algo homogênio.
Completamente homogênio.
Somos em tons degradê, e o que nós somos é uma mistura de todas essas cores. Nossa história é uma fita colorida que muda de tom aos poucos.

Pisquei novamente, e acordei chorando. Porque no final de contas, eu sabia que o passado não voltaria, por mais que sentisse saudades dele.

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Just to make a link

Desenho meu, gente, se usarem, pfvrrrrr darem os créditos, e avisar. Obg!

sábado, 13 de abril de 2013

Fraca...

Eu me sinto fraca, completamente fraca.
Como se não tivesse mais controle da minha mente, e... Eu não tenho, mesmo.
Eu não tenho controle do meu choro, não tenho controle dos meus pensamentos, dos meus nervos. 

Não tenho controle das minhas crises de pânico. E isso tá prejudicando pessoas que eu gosto, e eu me sinto mal por isso, mas

EU não tenho controle disso.

E tomar antidepressivos não ajuda os pensamentos ruins a irem embora. Sim, eu tentei.

Eu só queria ser forte, e dar um ponto final nisso. Ser uma pessoa normal.
Porque pessoas normais passam por coisas difíceis.
Difícil pra mim é emagrecer. As coisas que acontecem comigo são aterrorizantes, é...
É como se eu fosse morrer.

Eu só queria controle, poder calar tudo isso, ser uma pessoa normal.

Sofrer nas proporções normais. Não parar de sofrer, só... Sofrer menos.

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Só pra criar link!

Então, to postando meu desenho aqui porque preciso criar link pra ele. Apenas.

terça-feira, 2 de abril de 2013

Confiança.

Confiança pra mim, é uma coisa que não se trai.
Uma das piores sensações é confiar numa pessoa e essa confiança se quebrar.
Porque você confia, e quando essa confiança se parte, não é ela que se parte, é tudo. E quanto mais as pessoas te traem (em todos os sentidos, do mais leve até o mais grave), mais você se sente inseguro, porque se ninguém pode ser confiado, por que nós existimos?
Eu sempre tento ser uma pessoa leal, até às pessoas que eu não me dou muito bem. Porque se uma pessoa tem um momento de fraqueza, por exemplo, e conta uma coisa importante, é teu DEVER reconhecer que foi um momento de fraqueza e não contar pra mais ninguém.
O problema é que ninguém mais tem essa sensibilidade.
Tudo é notícia, tudo é motivo pra briga, tudo é motivo para deboche.


Por um mundo mais sensível. Ou por um mundo mais consciente.

domingo, 31 de março de 2013

Curioso...

Hoje estava eu vindo pra cá, antes de pegar o ônibus.
Chorei. Chorei PRA CARALHO.
Porque por algum motivo eu não me encaixo aqui, algo está errado. Eu não sei o que.
Mas enfim, esse não é o assunto.
Estava eu lá chorando, chorando, com meus pais e meu namorado me abraçando.
Do outro lado do banco, está sentado um homem índio, quieto, e ele ficou me fitando chorar como se nunca tivesse visto aquilo na vida.
Índios não choram?
Daí ele tentou puxar papo, mas ele tava com uma latinha de cerveja do lado, então eu respondia mas não era a pessoa mais simpática do mundo pra ele não achar que eu tava dando corda.
Por último ele me desejou boa viagem e disse também. 
Entrei no ônibus e fiquei pensando. Ele parecia realmente curioso me assistindo chorar igual um bebê.
E eu percebi o quanto nós da cidade somos facilmente quebráveis, porque tudo é muito fácil, o amor é muito grande. 
Ou só os vasos bons, como dizem. Não sei. 

Eu realmente achei curioso.

sábado, 30 de março de 2013

Dúvidas.

Dúvidas enchem a minha cabeça todo dia. 
Todo santo dia.
Eu não consigo passar vinte e quatro horas sem alguma questão me incomodando. E nunca são questões do tipo "oh, o que será que devo comer hoje?"
São questões do tipo "O que eu estou fazendo com a minha vida?"
Uma das maiores questões de todas é em relação ao meu relacionamento.
Eu amo meu namorado, acho ele um cara incrível, mas tem vezes que dá vontade de terminar e ser solteira um pouco, porque dependendo, até a roupa que eu coloco me faz sentir mal.
Por outro lado, eu acho que a motivação não é suficiente, que na verdade é só minha cabeça inventando sarna pra se coçar.
Mas daí eu lembro que eu estou há três anos e meio com ele e ainda não perdi minha virgindade.
E eu sinto falta de quando eu era livre.
Não que eu ficasse com todo mundo que me aparecesse na frente, mas sei lá.
Era diferente.

sexta-feira, 29 de março de 2013

Aquele...

Sentimento. Uma coisa que às vezes dói como se algo estivesse corroendo.
Aquele sentimento que os momentos mais felizes e aproveitáveis da minha vida foram antes de ir pra outra cidade. 
Aquele sentimento que eu estou jogando a minha vida fora, e não sei o que fazer pra esse sentimento ir embora. Eu quero ter boas lembranças da minha juventude, mas eu realmente preciso ser uma delinquente para me sentir bem?
Quando se é criada sob bons costumes e regras, e se cresce assim, é difícil aceitar a ideia que alguma coisa química vai te deixar bem.
Até porque a maioria das pessoas abre a boca pra dizer que álcool é ótimo, e cigarro também, e maconha mais ainda. Mas eles sempre esquecem de citar a parte do depois, a parte depressiva de todos os químicos. E a dependência que essas merdas causam.
Eu já tenho conflitos internos o suficiente pra ter que lidar com mais merda ainda, quem diria câncer e dependência.
O que eu preciso é achar amigos na cidade nova, me acostumar com as pessoas, e não sei...
Talvez...
O problema é que eu fico esperando que o momento perfeito apareça, mas parece que todo mundo é drogado demais ou diplomático demais. Eu só queria meus amigos perfeitos comigo, tudo seria tão melhor.
Meus amigos com bom humor, que sabem curtir a vida sem a ajudinha de nenhuma substância, que me fazem rir, que me fazer ter orgulho de estar viva. Eu só queria que eles estivessem comigo toda hora, todo dia, que morassem comigo.
Eu queria que minha melhor amiga fizesse o curso dela na mesma faculdade que eu, mas... Ela tem asas maiores e attachments menos attached.
Às vezes eu queria ser meio-termo com relação a sentimentos. Tudo é tão intenso, ou eu vivo sem, ou eu não consigo largar. É difícil amar uma pessoa a distância, eu não consigo ficar sozinha.
E por sozinha eu também quero dizer "com 15 colegas em volta", mas ainda assim são só colegas. São pessoas que já acharam seus grupos, são pessoas que já tem seus vícios, mas suas mentes são limpas. É como se eles procurassem os vícios para serem mais twisted.
Eu já sou complicada o suficiente, e eu até gosto dessa minha mente distorcida, acho que me faz uma pessoa interessante, o fato que a minha própria mente pode produzir a euforia e a depressão de uma garrafa de vinho, por exemplo.
Eu só queria meus amigos, minha safety net comigo 24 horas.
Aquele sentimento excruciante nunca iria me perturbar de novo.

segunda-feira, 25 de março de 2013

Texto.

Ela levantou aquele dia com um humor mediano, como sempre.
Antes de tudo, olhou-se no espelho. Obviamente, não gostou nada do que viu. Escovou os dentes, prendeu o cabelo e sentou-se na cama com as cobertas até o joelho.
O notebook em seu colo lhe mostrava fotos de ex colegas, todas muito bonitas, com corpos sarados, cabelos brilhosos e peles lindas. E ela teve vontade de se matar. Falou com uma amiga e com um namorado. Ela queria muito comer alguma coisa com um gosto bom, mas não podia. O namorado falou que ela não comesse, que comesse uma fruta, e isso caiu como uma bomba no estômago.
"Ele me acha gorda. Ótimo."
Tomou meio copo de leite e segurou a vontade de chorar até se esvair. O que ela precisava era ir para a beira da praia. Com aquela temperatura, ninguém estaria lá.
Na saída, a avó lhe ofereceu um pedaço de bolo. Ela responde "não, obrigada, vou caminhar" e a mãe diz "é, ela vai caminhar, ver se perde essa barriga".
Outro golpe. Ela se pergunta se tem bipolaridade para ter o humor tão instantaneamente mudado, mas resolve que passa por muita coisa, mesmo.
E ela vai caminhar, mas não consegue chorar. Aquilo não sai de dentro dela, e ela se pergunta por que existe e como conseguiu que alguém a amasse.
Tudo o que ela quer é um caminhão em alta velocidade.

Contos de fadas e derivados

E às vezes eu fico pensando sobre contos de fadas, livros de romance, tudo isso. 
É claro que há um padrão ali, e é claro que muitos são feitos assim para vender exemplares, afinal ninguém quer ler um livro estilo Nicholas Sparks com uma mocinha corajosa e forte.
Ou até engraçada.
Eu acho especialmente estranho essa parte, e é uma parte que me fere.
A mulher/menina engraçada é sempre a melhor amiga da mocinha. Não é a engraçada que vive o conto de fadas, é sempre a (que eu acho, pelo menos) sem graça, que é só bonita e completamente passional a tudo e com opiniões calmas e vagas sobre tudo.
A mocinha desses livros nunca é engraçada. Ela também raramente pratica esportes. Raramente faz alguma coisa de mais, também. É sempre um cara que brota de algum buraco da terra e os dois se apaixonam instantaneamente, e ninguém se importa com ficha criminal nem nada. Ninguém se importa se o cara apaixonante é um psicopata.
Porque a mocinha raramente vai saber reconhecer um psicopata, ou sequer saber exatamente o que é um psicopata.
Na verdade ela quase nunca sabe de nada. Não sabe fazer piada, não sabe jogar alguma coisa em alguém, do tipo uma bola, ou uma chave, não. Ela não sabe fazer nada. Não sabe se defender.
Ela tem que ser frágil, bonita, magra, com cabelos sedosos e como já dito, com uma personalidade completamente macia.


E é por essas e outras que às vezes eu sofro sozinha e em silêncio, refletindo sobre esse tipo de coisa. Garotas como eu nunca são a mocinha. São sempre a amiga estranha que tem uma vida normal na qual nada de bom nunca acontece. É o tipo de pessoa que tem que assistir a amiga bonita ficar com quem quiser, a hora que quiser, só porque nasceu bonita.



Never mind.

Início

Então, o objetivo do blog não é fazer sentido.
Não é, mesmo.
O objetivo desse blog é ser como um gargalo, no qual eu vou jogar o que eu estiver com vontade de escrever naquele momento. Tudo o que for escrito aqui não serve para ferir ninguém, de maneira alguma. São só algumas reflexões e provavelmente alguns textos sem sentido algum também. Que na maioria das vezes são coisas que eu não vivi, mas dá vontade de escrever.
É isso. 
:)